quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O que quero dizer é

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Na Índia se alguém percebe que maltratam uma mulher, começa a jogar moedas em retribuição pelo belíssimo espetáculo. Podem acreditar. Eu mesmo duvidava até poder presenciar isso com um amigo indiano pela webcam. Ao perceber que enquanto me contava orgulhosamente todas as barbaridades feitas contra as pobrezinhas, mantinha na estante de seu quarto o crânio de uma ex-namorada como peso de papel. São as coisas que ainda terei de ver e ouvir neste mundo, e o que é pior, num inglês que só os indianos conseguem praticar. Mas fazer o quê?
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Já no ocidente não as maltratamos tão diretamente. Ao invés disso preferimos judiá-las de modo que dificilmente percebam. Por exemplo: se durante uma exibição de uma novela local em Patna, capital de Bihar, um indiano se utiliza da presença feminina somente para que sua cabeça lhe sirva de encosto para os pés. Nós, os ocidentais, durante o Rei do Gado, permanecemos com o controle remoto nas mãos durante anos, fazendo com que uma imensa úlcera se desenvolva lentamente no estômago da pobre coitada a cada vez que mudamos o canal (nas principais partes, claro, em respeito a uma técnica milenar) só para colher o resultado do Ituverava versus o Itapajé Futebol Clube.

Se em Kerala os homens permitem que as suas mulheres rezem apenas durante a noite, de modo que possam cumprir o restante de seus afazeres domésticos durante o dia. Por aqui acabamos por convencê-las de sua igualdade entre os homens (bem como nos ensinou Weber), fazendo com que cuidem, não somente dos afazeres domésticos, o que inclui: lavar, passar, cozinhar, espirrar durante a retirada do pó da cueca de seus preciosos maridos, levar as crianças à escola, etc. como também damos um jeitinho de arrumar-lhe um bom emprego numa fábrica de empacotamentos de cigarros das 18 às 6 da manhã, de modo que não comprometa a madrugada romântica com as amantes e a reunião com os amigos.

Não preciso dizer aqui do compromentimento matrimonial dos indianos, que podem ter quantas esposas quiserem. Porque no ocidente, todos os homens parecem ter saído do filme A Noite dos Mortos Vivos, pois andam babando pelas ruas (mesmo os comprometidos) fazendo convergir os seus veículos na direção de imensos traseiros, o que no fim das contas, acaba por dar-nos ao mesmo tempo uma média de 365 esposas ao ano, ou uma por dia. Cabe dizer que em dias festivos, raríssimos no Brasil, essa média tende a multiplicar-se exorbitantemente, o que nos deixa novamente em vantagem em relação aos indianos.

Não quero usar de covardia com estes lentos hindus e dizer que só precisamos sustentar uma das pretendidas (e a pior delas) e de maneira insatisfatória, diga-se, enquanto um indiano é obrigado a levar toneladas e mais toneladas de vegetais cozidos (o famoso subji) a deus e o mundo, ou se quiserem que melhor explique, a seus mil quinhentos e quarenta e cinco filhotes de passarinho.

A verdade é que o indiano é a prova viva de como o mundo ficaria se os homens fossem mais espertos. Mentira. Os homens mais espertos do mundo consomem sanduíches imensos, nojentos e gordurosos em cadeiras minúsculas, justamente porque são obsessivamente obesos, dormem a cada três dias até que a pancada da música eletrônica juntamente com as drogas se dissipe dos poucos neurônios que ainda lhe restam, mas são espertos o bastante para elegerem um catatônico líder mundial capaz de dizimar até o último dos orientais do planeta. Portanto, no andar da carroagem, é provável que daqui a uns cem anos, se tudo correr bem, teremos indianos apenas em museus de cera na Inglaterra (uns bem poucos) de mãos dadas a Mahatma Gandhi, enfileirados como se dançassem polca num cabaré com apenas uma das pernas para o alto, como aqueles Jesus Cristinhos do filme de Stanley Kubrick, em Laranja Mecânica.

O que lhes quero dizer é que: se por um acaso, mulheres, cruzar-lhe o caminho um adorável pretendente, o dilema de suas vidas, e este lhe pedir que passe a lua de mel em uma praia de Visakhapatnam, ou à beira da lagoa da Pampulha, tratem imediatamente de fisgar o primeiro alemão que passar pela sua retaguarda, sorrir-lhe com aquele sorriso amarelo de quem acaba de ingerir dois quilos do autêntico jatobá brasileiro, dizer-lhe que acaba de conhecer sua alma gêmea, e que não se importaria em marcar (para muito breve) sua partida para uma aventura erótica através do mundo, como a um sonho, a ver estrelas, bem distante dali, provavelmente num campo de concentração próximo a Monique em Dachau, o que seria ótimo, ou nos perigosíssimos desfiladeiros Kings do Grand Canyon.
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Para Lolis

6 comentários:

Morenna Flor Bijux disse...

Meu caro, sinto dizer-lhe que somos maltratadas no Brasil, na Índia, na Inglaterra, e até na tonga da mironga; mas não só pelos homens. Nós mesmas nos maltratamos em qqer lugar q seja aturando alguns de vcs simplesmente pelo fato de algumas de nós não ter condições psicológicas ou financeiras para viverem sozinhas. O que é uma lástima. Um abraço.

Helder Fernandes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Helder Fernandes disse...

Que bela porcaria essa crônica.

CASSI disse...

COMO VOCÊ MESMO DIZ: - "UM TEXTO É PRA SER LIDO E NÃO ENTENDIDO".PORTANTO, SEM COMENTÁRIOS.
BJOS
CASSI

Quel disse...

Quero mais textos pra fazer mais comentários, agradando ou não ao autor (como sempre)...
bjo.

Look - Cabelo e Corpo disse...

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VAGABUNDO !!!!